Preocupa-me que quem se diz revolucionário (ou de quem eu depreendo intenções revolucionárias) utilize o argumento da ilegalidade para atacar determinado acontecimento ou indivíduo. A bem da defesa da mudança, devemos evitá-lo, parece-me, ou deixar explícitas as razões porque tal deverá ser ilegal. De outro modo, contribui-se para o culto de um aspeto da sociedade atual que, embora necessário a priori, não deixa de ser configurado pelo sistema político-económico contra o qual nos batemos.
Passar palavra (contra as areias betuminosas)
Junho 17, 2011
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No próximo dia 18 de Junho vai ter lugar o DIA INTERNACIONAL “STOP THE TAR SANDS” (PAREM AS AREIAS PETROLÍFERAS), que se irá traduzir em manifestações a nível global, com o objectivo de detêr a exploração destas areias de petróleo (com a sua maior expressão em Alberta, no Canadá), por parte das grandes companhias petrolíferas.
Assim, no dia 18 de Junho, em Lisboa, irá realizar-se um protesto que terá início às 17 horas, frente à Embaixada do Canadá (Avenida da Liberdade, nº 196-200) , seguida de uma caminhada até ao largo Camões (Baixa-Chiado).
Este meu email vem assim apelar à vossa presença e participação neste protesto, assim como à divulgação desta questão J
Apoiar as manifestações globais contra a exploração destas areias petrolíferas é, não só uma mostra de solidariedade para com as comunidades indígenas canadianas que assistem à destruição dos seus territórios ancestrais e violação dos seus direitos, mas também uma demonstração contra os terríveis efeitos a nível ecológico que este tipo de exploração provoca (pela devastação de um ecossitema irrecuperável, pelas enormes quantidades de água e energia gastas na sua extracção e producção, assim como pelos gases com efeito de estufa libertados para a atmosfera) mas sobretudo contra os graves problemas causados pela indústria petrolífera duma forma geral.
TRAGAM BANDEIRAS, CARTAZES, FAIXAS… O QUE QUISEREM! MAS SOBRETUDO TRAGAM A FORÇA DA VOSSA VOZ INDIGNADA CONTRA AS BARBARIDADES QUE ESTE SISTEMA CAPITALISTA PERPETUA, PARA QUE TOD@S EM CONJUNTO APELEMOS A UM CONSUMO CONSCIENTE QUE NÃO DESTRUA O PLANETA OU ASSASSINE AS ESPÉCIES ANIMAIS E HUMANAS QUE NELE HABITAM!
Site internacional: http://paremastarsands.yolasite.com/
P. S. (meu): Sobre as ditas cujas (e os ditos cujos – os seus “apologistas”), ver relatório da Greenpeace, por exemplo.
Fernanda Câncio em defesa do autoritarismo
Junho 14, 2011
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Fernanda Câncio empreende, no seu último post – “um rossio sem amos” – a apologia do autoritarismo. Disse-lho na caixa de comentários. Respondeu-me que o autocrata sou eu, por não conceder o direito de pensar os limites da democracia à oligarquia regente. Convenhamos: que a acampada no Rossio faz comichão ao cosmopolitismo de Câncio – o que Zé Neves já ridicularizou no Vias de Facto - não é de estranhar; mas que Câncio parta da análise desse movimento para uma defesa – involuntária, a julgar pela resposta que me deu – de um Estado que regula o modo como decorrem as manifestações dos cidadãos que o constituem é a mim que me faz comichão. Reza assim o último parágrafo do texto:
Uma questão (de entre as várias que a passagem suscita – acerca do nível da necessidade da expressão política, das aspas em “políticos”, do uso do qualificador colectivo “sem abrigo”, etc.): a que ilegitimidade se refere Câncio, no caso de Mubarak? Diz-nos que o senhor não obedecia a uma legitimação pela vontade de todos. Esqueçamos o contexto e teremos um comentário reaccionário, a que se subentende uma subversão do statu quo, pelo menos em quota parte. Contextualizando, com a pessoa – Câncio – e com o que segue, temos ou incoerência lógica ou uma defesa da homogeneização coagida das vontades individuais. Ora, se, para Câncio, “todos” é o sujeito político legitimante, como pode ser compatível a sua intenção de ilegalizar as manifestações de alguns? É que essas manifestações retirariam a legitimidade ao poder instituído, já que dirimiriam o “todos”. Somente através da ideia de que o “todos” deve ser inalterável. De outro modo, a ilegalidade em que os manifestantes incorreriam seria ilegítima, já que definida por um poder não legitimado. Os limites da democracia de Câncio não são os limites da articulação das vontades individuais de cada membro do “todos”, mas sim os limites que convêm à legitimação forçada do poder instituído.
Cinco revelações relevantes da Wikileaks em 2011
Junho 8, 2011
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http://www.alternet.org/world/151232/5_wikileaks_hits_of_2011_that_are_turning_the_world_on_its_head_–_and_that_the_media_are_ignoring?page=1
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